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Foto:  editoraurutau.com/autor/julio-machado

 

JULIO MACHADO
( BRASIL - MINAS GERAIS )

 

 

Nasceu em 1975, em Pouso Alegre, sul de Minas. Reside em Niterói e é professor de Literaturas Africanas na Universidade Federal Fluminense.
Em poesia, recebeu, dentre outros, os prêmios Xerox/Livro Aberto (1997), por O itinerário dos óleos (1997), e Nascente (USP/Editora Abril) (2002), por Mimnas (não publicado). Publicou, em 2016, O quintal e o mundo (Editora Kazuá).
Como dramaturgo, escreveu A profecia (1998) e Luzia (2007), encenadas pelo Grupo Pândega e pelo Teatro do Brejo Bento, respectivamente.

 

ANTOLOGIA SELVAGEM: UM BESTIÁRIO DA POESIA BRASILEIRA CONTEMPORÂNEA/ Alexandre Bonafim, Claudio Daniel e Fábio Júlio (org.) - Franca, SP:  Cavalo Azul, 2025.  372 p.  ISBN 978-65-83644-11-4
Exemplar da biblioteca de SALOMÃO SOUSA.

O cão e o câncer

E contra as verdades de Deus,
o cão comido pelo câncer,
sem mineiros para a crua.
difusa solidariedade.

Vede como prima, vagamundo
no quintal sem ervas,
em ouvir estrelas de murcho brilho,
ou adivinhar, entre pus e urtigas,
antigas violetas (mesmo esterco,
sem dar por isso).

Lázaro ou lunático de evangelho,
não reconhece mais a água,
não teme ao fogo.
Árcade de ovelhas com tosquia,
não sabe quando é noite ou quando é dia.

Esquecido do que fora o céu,
e belezas,
esparge inconsciente, entre incertezas,
seu bafio álacre de carne podre
em tons de ocre.

Mas, veja-se: impassível.
Não daria de si
sinal algum de sofrimento,
não fosse a lágrima amarela
que verte se percebe,
contra o esfarelar de sua pele,
a integridade das pedras.

Mas, como, em meio à dor,
esquivar-se da matéria?
Ou, sem morfina,
acalentar o espírito?

Sabe: devia morrer,
mas não o morrem.
Há mesmo uma fina crueza
no ato de sobrevivê-lo,
embora não se lhe notem,
mesmo nas unhas em degredo,
sinais de desespero.

Busca apenas, desancado e torto,
em quartos, flancos, frangalhos,
um qualquer restolho
dos olhos, que secaram,
dos dentes, que caíram,
dos pelos, que voaram.

E depois,
um só cancro de orelha e rabo,
esperar que alguém,
por nojo, piedade ou trinta dinheiros,
o enterre ao pé do muro.
Como a cidade mesma,
ao pé do morro.

*
VEJA e LEIA  outros poetas de MINAS GERAIS em nosso Portal:
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Página publicada em março de 2026.

 

 

 
 
 
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